Cotovelo de Tenista ou Tenis Elbow

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Praticar tênis é uma atividade saudável e muito popular no Brasil. Estudos recentes apontam um número de 2 milhões de praticantes e que vem crescendo ano a ano.

Um problema comum entre os praticantes de tênis que pode prejudicar ou até mesmo interromper a prática é a epicondilite lateral, cotovelo de tenista ou “tênis elbow”.

A epicondilite lateral é uma patologia tendínea e muscular, localizada na origem dos tendões da musculatura extensora do antebraço, geralmente causada por sobrecarga excessiva, onde microlesões são geradas na região de inserção dos tendões dos extensores (mais freqüentemente o extensor radial curto do carpo) do punho, dos dedos e, em menor grau, o extensor longo radial do carpo.

A História natural da epicondilite lateral é iniciar durante ou após as atividades atléticas, como o tênis, mas a dor pode ser sentida durante as atividades diárias mais simples, nos casos avançados. A dor geralmente inicia-se de forma leve e piora progressivamente na região do epicôndilo lateral, podendo irradiar para o antebraço, punho, mão e ombro. Conforme se agrava a tendinopatia, tarefas simples como pegar um recipiente com leite ou girar uma maçaneta podem tornar-se difíceis de ser realizadas.

A técnica incorreta na realização dos golpes é um fator que mais freqüentemente causa a epicondilite lateral. Pacientes que desenvolvem o cotovelo de tenista, de um modo geral, batem seus golpes de backhand com o “cotovelo a frente” sem completar o movimento até o final da batida. Sabe-se que isso provoca estresse excessivo no epicôndilo lateral e uma atividade anormal da musculatura do antebraço.

A epicondilite lateral também pode ocorrer pelo uso de equipamentos inadequados. O tamanho da empunhadura da raquete deve ser observada cuidadosamente e personalizada de cada um com o tamanho da mão do atleta. A tensão das cordas da raquete também deve ser medida, e não recomendamos que se use mais de 57 libras, de rotina, pois uma tensão aumentada pode gerar mais vibração para o membro superior, podendo gerar a lesão.
Os danos causados na epicondilite lateral consistem em microtraumas na parte dos tendões e dos músculos no epicôndilo lateral. Os microtraumas promovem o surgimento de um tecido inflamatório crônico como resultado de estímulos repetitivos.

Esses achados sugerem que a epicondilite crônica constitui uma entidade mais degenerativa que inflamatória. Depois do trauma inicial, estas áreas se lesam com mais freqüência, conduzindo a hemorragia e a formação com depósitos de tecido granulosos e de cálcio dentro dos tecidos vizinhos.
Cerca da metade dos atletas que jogam ou praticam com freqüência o tênis sofrerão de dores no cotovelo. A dor geralmente é exacerbada em decorrência do golpe de backhand e em cerca de 95% dos casos ocorre em quem joga este golpe com somente uma das mãos. Geralmente acomete pacientes dos 35 aos 50 anos de idade.

 

É de causa mecânica e os principais fatores de risco podem assim ser resumidos:

Ao manter contraída a musculatura extensora por um período prolongado durante um jogo, ao segurar o cabo da raquete com muita força, o atleta gera mais força na massa muscular, o que pode sobrecarregar os tendões. Deste modo, para prevenir a lesão, a contração deve ocorrer somente no momento da batida, e não precisa ser tão grande;

No saque, além da força, uma série de torções de punho e cotovelo são necessárias; por esse motivo, precisam ser treinadas e orientadas com a técnica correta – a chamada cadeia cinética de movimento, que vai desde a geração de potencia dos membros inferiores até os elos de força do membro superior (ombro e cotovelo) devem agir sincronicamente, para evitar a sobrecarga de alguma estrutura em particular;

Rebatidas impróprias às bolas durante o backhand (revês) são o fator que mais pode gerar a lesão. Essas bolas devem ser rebatidas com o cotovelo em extensão, na hora do impacto da bola, o que somente é conseguido quando se gira rapidamente o tronco na preparação do golpe. Se essa posição ainda estiver incompleta (bater de frente para rede), com a bola em alta velocidade, vai ocorrer uma vibração maior em todo o membro superior, nos prono-supinadores no punho e os extensores no cotovelo.

 

Quadro clínico:

Os músculos traumatizados, na epicondilite, são os extensores do punho e dos dedos. Os músculos podem inchar no antebraço criando um estresse altamente localizado nas áreas de inserção dos tendões no cotovelo. Dor na parte externa do cotovelo, ocasionalmente irradiada para o braço, punho e ombro são os sintomas mais frequentes. A dor ocorre levantando ou dobrando o braço, agarrando objetos tais como um copo de café ou até mesmo num aperto de mão, nos quadros mais avançados.

 

Diagnóstico:

O diagnóstico é clínico e leva em consideração vários aspectos relacionados à prática esportiva do tênis. Uma anamnese bem detalhada sobre o desenvolvimento da disfunção, assim como o tempo de prática do esporte, as formas de aumento e diminuição da dor, movimentos básicos realizados pelo atleta e os testes específicos praticamente fecham o diagnóstico.
O Ultra-som pode ser utilizado para o diagnóstico, mas sempre que possível, principalmente nos casos crônicos ou de recidiva a ressonância magnética é feita trazendo dados mais precisos.
O teste do dedo médio auxilia o diagnóstico diferencial da síndrome do nervo interósseo posterior com a epicondilite lateral. Deve ser realizado com o cotovelo em extensão e punho em posição neutra. Pressiona-se o terceiro dedo, evitando que este faça extensão ativa. O aumento da dor nessa manobra sugere síndrome do interósseo posterior.

 

Outro teste utilizado no diagnóstico diferencial entre essas duas patologias é realizado com a infiltração de 1,0 ml de lidocaína no nível do epicôndilo lateral. Nos casos de epicondilite lateral, os sintomas desaparecerão, enquanto que, na síndrome do nervo interosseo posterior, persistirão.

 

Tratamento

Quando nos deparamos com uma lesão aguda, o tratamento é realizado através de analgésicos e antiinflamatórios não hormonais. Essa conduta, no entanto, é sempre indicada junto ao tratamento fisioterápico.

A reabilitação da epicondilite lateral ainda é muito controversa, talvez pelo fato de se usar muitas técnicas ao mesmo tempo a fim de recuperar o paciente o mais breve possível. As técnicas mais utilizadas para o tratamento são o uso de US, ondas curtas, eletro-estimulação e gelo.

A cirurgia da epicondilite lateral só ocorre em casos extremos. Quando os sintomas ainda são aparentes por mais de seis meses e ocorreram o insucesso do tratamento médico não-cirúrgico e fisioterapeutico, a cirurgia é indicada. Essa cirurgia consiste na retirada do tecido fibrótico e / ou liberação parcial da origem do extensor no epicôndilo lateral do úmero.

Mais recentemente temos utilizado o tratamento com infiltração de plasma rico em plaquetas (PRP) como alternativa a cirurgia. O tratamento com PRP visa proporcionar um melhor aporte sanguíneo ao tendão degenerado, possibilitando a progressão da cura por meio de um adequando trabalho de estresse excêntrico no tendão, que é realizado através de um programa especifico de fisioterapia.
Nesta terapia, retiramos de 20 a 30 ml de sangue do paciente, centrifugamos por cerca de 15 minutos a 3200 rotações por minuto, e depois retiramos o plasma rico em plaquetas, que é injetado no local da lesão, guiado por ultrassonografia. Após o procedimento o paciente realiza um tratamento fisiterápico para recuperação do arco de movimento e ganho progressivo de força muscular, e o retorno ao esporte ocorre de 2 a 3 meses apos o procedimento.
A complicação mais relacionada ao tennis elbow é a recidiva da lesão (10% de recidiva). A persistência da dor após a cirurgia também pode ocorrer, porém em menor porcentagem.

 

Prevenção

A epicondilite lateral em tenistas também pode ser prevenida utilizando equipamentos adequados, realizando a técnica apropriada (principalmente o backhand) e realizando exercícios de flexibilidade para o membro superior3.
Lembre dos seguintes métodos para prevenção da lesão, se você for tenista:

  1. Procure jogar com bolas novas, sempre que possível
  2. Utilize uma raquete com perfil largo, pois estas tem uma menor chance de causar a lesão
  3. Procure utilizar cordas de tripa natural ou sintética, sempre que possível, pois estas absorvem parte do impacto gerado na rebatida
  4. Evite atrasar os golpes, procurando deixar o cotovelo sempre atrás da zona de contato da cabeça da raquete com a bola
  5. Faça sempre o complemento total dos golpes, para ajudar na dissipação da energia gerada durante o golpe
  6. Faça a preparação adequada dos golpes no tênis rodando antes o tronco para gerar energia adequada para as rebatidas
  7. A raquete tem que ter uma empunhadura adequada, medida pela distância entre a prega palmar transversal e a ponta do 3º dedo, e em geral é dada em polegadas.
  8. Pode-se usar uma tira compressiva de aproximadamente 3 cm de largura, vendida nas lojas de materiais esportivos, que colocada distalmente ao cotovelo previne o aparecimento dos sintomas.
  9. Outro truque que ajuda é a instalação de um anti-vibrador no encordoamento da raquete, diminuindo o impacto sobre a musculatura.
  10. Nos jogos ou treinos, inicie sempre com um bom aquecimento seguido de alongamento da musculatura do antebraço, que deve ser repetido após a atividade.

 

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