Artroscopia do quadril

A artroscopia é um procedimento cirúrgico que os ortopedistas realizam para visualizar, diagnosticar e tratar problemas de dentro de uma articulação. A palavra “artroscopia” vem do grego “arthro” (junta, articulação) e “skopein” (olhar).

O termo literalmente significa “olhar dentro da junta”. No exame artroscópico, o ortopedista faz uma pequena incisão na pele do paciente e insere instrumentos do tamanho de lapiseiras.

Essas ferramentas contêm pequenas lentes e um sistema de fibras óticas que ilumina e aumenta o tamanho da visualização das estruturas dentro da articulação. Ao conectar o artroscópio (Figura 1 e 2) a uma tela de televisão, o ortopedista consegue ver o interior da articulação através de uma pequena ferida cirúrgica, ao invés de realizar grandes incisões.

Impacto Femoroacetabular

O impacto femoroacetabular (IFA) ocorre quando a articulação do quadril apresenta uma incongruência nos extremos de suas amplitudes de movimento, especialmente quando ele é dobrado ou rodado para dentro.

Essa incongruência pode ser provocada por deformidades no osso da bacia, especialmente em sua borda, o acetábulo – ou, ainda, a deformidades da cabeça do fêmur. Na maioria das vezes, há osso a mais, tanto na cabeça quanto na bacia.

QUAIS SÃO OS TIPOS DE IMPACTO FEMOROACETABULAR?
Came

O impacto chamado came é resultante do contato entre uma cabeça do fêmur anormal e o acetábulo (borda da bacia).

Esse impacto no quadril é mais comum em indivíduos do sexo masculino, praticantes de atividades esportivas e na terceira ou quarta década de vida. “Came” é definido pelo dicionário Michaelis como “dispositivo de máquina destinado a converter um movimento rotativo regular em movimento rotativo irregular, rápido ou lento, intermitente ou alternativo; ressalto do came, arrasto”. É este tipo de comportamento que a cabeça do fêmur possui em relação ao acetábulo, devido ao seu formato elíptico.

O Impacto femoroacetabular tipo came pode ocorrer durante a flexão do quadril, a porção anesférica da cabeça femoral (protuberância ou bossa da transição colo e cabeça femoral) colide contra o teto da bacia (acetábulo). A cartilagem é descolada progressivamente pelo cisalhamento, o que leva ao rompimento do labrum (articulação do quadril).

Pinçamento ou torquês

O impacto tipo pinçamento (“Pincer”) ou torquês é resultado do contato de uma borda acetabular anormal com o colo (pescoço) do fêmur normal.

O pinçamento é mais comum em mulheres de meia idade praticantes ou não de atividades esportivas.

Impacto femoroacetabular tipo pinçamento: devido ao excesso de cobertura acetabular, o labrum é danificado diretamente pela junção colo-cabeça femoral. A lesão da cartilagem acetabular, em sua porção ântero-lateral, é menos extensa que a do IFA tipo came. A cartilagem acetabular posterior é lesada por mecanismo de contra-golpe da cabeça femoral.

 

PINÇAMENTO
Misto

Os impactos tipos came ou pinçamento no quadril raramente ocorrem como mecanismos isolados. Cerca de 70% dos pacientes com esse tipo de impacto têm problemas no fêmur e na bacia.

Por que tratar o impacto femoroacetabular é importante?

A colisão entre as estruturas anormais no impacto no quadril leva ao destacamento da cartilagem que reveste o acetábulo e a lesão de sua borda fibro-cartilaginosa, que é o labrum ou lábio acetabular.

O destacamento da cartilagem do quadril parece com o de um carpete solto, e é irreversível, ou seja, uma vez que ela está danificada, não há como repará-la. Por isso, o tratamento precoce do IFA é muito importante.

Osteoartrose de quadril

O quadril é a articulação que fica entre o fêmur, osso mais longo do corpo humano, e a bacia.

A região da bacia que “aceita” a cabeça (porção superior) do fêmur é o acetábulo. Por esse motivo, o quadril também é chamado de articulação fêmoro-acetabular ou coxo-femoral.
No quadril normal, a cabeça do fêmur e o acetábulo são cobertos por uma cartilagem macia que permite o fácil deslizamento da cabeça do fêmur dentro da cavidade. Uma articulação ideal possibilita movimentos no quadril em várias direções, de maneira estável e sem dor.

(A) Desenho esquemático de um quadril normal constituído pelo Acetábulo e Cabeça Femoral. A Cartilagem Articular tem aparência normal.
(B) O quadril que sofre de artrose possui a cartilagem articular, do fêmur e do acetábulo, destruída.

A mais comum das doenças que causam dor no quadril é a artrose, em que há desgaste da cartilagem articular da região. Nesta situação, o osso do fêmur começa a raspar no osso da bacia, ao invés de estar separado pela cartilagem articular, causando dor. À medida que a doença se agrava, os movimentos do quadril podem tornar-se mais limitados, surgem dificuldades para andar e exercer algumas atividades do dia a dia.

As doenças que mais causam artrose são: impacto fêmoro-acetabular, lesões do lábio acetabular, fraturas da bacia e colo do fêmur e sequelas de doenças da infância (displasia do quadril, luxação congênita, doença de Perthes, epifisiolistese, pioartrites).

As doenças degenerativas podem ser tratadas sem cirurgia (tratamento conservador) ou através de tratamento cirúrgico.

 

O tratamento conservador consiste em:

  1. Repouso durante as fases de maior dor;
  2. Modificação das atividades físicas e do dia a dia do paciente, como evitar escadas, subir a altura de cadeiras, assentos sanitários e camas;
  3. Uso de apoio externo ao andar, para diminuir a carga que sofre a articulação do quadril;
  4. Reforço muscular da região da cintura pélvica e abdome;
  5. Manutenção de atividades físicas regulares, como natação, bicicleta, hidroginástica, hidroterapia, musculação dirigida, andar na água, pilates voltado à artrose, etc…
  6. Uso seletivo de condroprotetores, substâncias como a glucosamina, que podem ajudar na dor residual;
  7. Em casos raros, são realizadas infiltrações com corticoides ou ácido hialurônico.

 

Já o tratamento cirúrgico pode ser realizado através de:

  1. Artroscopia (cirurgia minimamente invasiva), raramente indicada em casos de artrose com diminuição do espaço articular;
  2. Osteotomia (mudanças de direção do quadril), indicada em deformidades como “colo varo” ou “valgo”;
  3. Artroplastia (prótese – substituição da articulação)

Artroplastia (prótese) de quadril

A prótese de quadril é um procedimento cirúrgico que tem como objetivo substituir a articulação natural doente ou fraturada. A articulação artificial, que é colocada no lugar, é constituída por materiais não orgânicos chamados implantes protéticos. Portanto, em termos médicos, prótese de quadril é o implante que substitui os ossos e cartilagem danificados pela artrose.

Quando o desgaste (artrose) já está instalado, a artroplastia total de quadril é uma opção de tratamento pois restabelece os movimentos da articulação, alivia a dor e permite a realização de atividades comprometidas pela destruição da junta.
Quando é indicada uma prótese de quadril?

Quando os benefícios de realizar a cirurgia superam os riscos, inerentes a qualquer cirurgia de grande porte.

Costumamos dizer que o paciente deve operar antes que o quadril “vire o centro da sua vida”, ou seja, antes que o desgaste do quadril piore tanto a qualidade de vida que a pessoa deixe de fazer as coisas que gosta, como caminhar, passear, praticar atividades físicas, ir às compras, viajar ou tenha dificuldades diárias como subir escadas, vestir meias e sapatos, se vestir ou usar assentos sanitários baixos.

Quais são os benefícios da cirurgia?

A prótese de quadril é uma operação muito eficaz para aliviar a dor e melhorar a função do paciente.

A qualidade de vida melhora muito porque o paciente consegue andar melhor e realizar todas as atividades do dia a dia, sem grandes limitações e sem dor no quadril.

Raros são os procedimentos cirúrgicos que apresentam uma relação risco/benefício tão adequada quanto a artroplastia total de quadril, que é segura e eficaz.

 

Quais os riscos de realizar uma prótese de quadril?

São os mesmos de uma cirurgia de grande porte, especialmente ortopédica. No entanto, esses riscos podem ser prevenidos com várias medidas protocolares como:

1.    Avaliação criteriosa clínica e anestésica pré-operatória, para prevenir problemas cardíacos ou pulmonares;

2.    Uso de anticoagulantes, meias elásticas, bombas e compressão nas pernas e fisioterapia precoce. É importante começar a andar logo nas primeiras 24/48 horas após a cirurgia, para evitar tromboses e embolia;

3.    Realizar a cirurgia em hospital adequado, em tempo cirúrgico bom (de uma a duas horas de duração), sob o uso de antibióticos de 24 a 48 horas, com técnicas minimamente invasivas (machucando pouco os músculos e pele) para evitar sangramentos e infecções;

4.    Educação do paciente na fisioterapia e nos retornos, evitando movimentos extremos nos primeiros dois meses, além de uma boa reabilitação, para evitar luxações (saída do lugar da prótese) ou lesões musculares

 

Qual a durabilidade de uma prótese de quadril?

É evidente que se a articulação natural se desgasta, a prótese de quadril também está sujeita à danificação. Sabe-se atualmente que, na ausência de complicações maiores, o desgaste depende do uso e não do tempo de implantação da prótese. Pacientes mais jovens e mais ativos irão apresentar enfraquecimento da prótese em um tempo mais curto em relação aos pacientes com atividades mais restritas.

 

O que posso fazer depois de uma prótese de quadril?

O principal objetivo da artroplastia de quadril é que o paciente volte a realizar todas as suas atividades, principalmente as corriqueiras do dia a dia, como se não tivesse a prótese, afinal ela não possui limitação alguma de movimentos.

É recomendado voltar a realizar caminhadas, andar de bicicleta, andar a cavalo, nadar, jogar tênis, praticar danças de salão, fazer ginástica localizada ou em circuito, praticar Yoga, Pilates, Tai-Chi, musculação, etc.

Há pacientes que chegam a correr, jogar futebol, esquiar, surfar, escalar paredes, praticar acrobacias e dançar balé. Entretanto, deve-se lembrar que há um risco baixo, mas presente, de complicações, especialmente de desgaste precoce da prótese. Quanto mais você utilizá-la, mais rápido ela vai se desgastar e mais cedo terá que ser realizada uma troca da mesma ou de partes dela (revisão da prótese). Portanto, é muito importante ter bom senso.

O cirurgião está apto, com a imagem que obtém na tela, a observar todas as estruturas do interior do quadril, como a cartilagem do acetábulo e da cabeça femoral, o lábio (ou labrum) acetabular, a gordura do pulvinar (que fica no centro do acetábulo), os ligamentos redondo e transverso e até a cápsula do quadril (Figura 3). O ortopedista pode determinar o tipo e a extensão das lesões presentes no quadril, possibilitando que ele repare ou corrija os problemas, se necessário.

O procedimento requer uma tração na perna do paciente, com a utilização de uma mesa ortopédica especial e acolchoamentos específicos (Figura 4), para separar a cabeça do fêmur do acetábulo e obter um espaço para a introdução das cânulas (camisas de metal e plástico que revestem os instrumentos de artroscopia e ficam fixos no paciente durante todo o ato cirúrgico).

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