A HISTÓRIA DE VITA DE GUILHERME BACHA, UMA ESTRELA ASCENDENTE DO JIU-JITSU BRASILEIRO

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“Claro que estar cem por cento para competir e conquistar títulos me motiva. Meu objetivo é ser campeão, em junho, do mundial da International Brazilian Jiu-Jitsu Federation [IBJJF], mas só de pisar no tatame novamente já terá valido o esforço”, diz Guilherme Bacha.

Positividade. A palavra traduz bem Guilherme Bacha, o jovem fluminense de Vassouras, cidade famosa pela qualidade do ensino da universidade que leva seu nome e onde Bacha estudou. O jovem de 26 anos, hoje, que descobriu o jiu-jitsu aos 18, quando fazia faculdade de Administração de Empresas, chegou ao Vita em setembro, graças à parceria entre o Rising Stars, um projeto para talentos do jiu-jitsu, com sede em Los Angeles, na Califórnia (EUA), e o Vita Care, a OSCIP do Instituto Vita.

A incumbência de cuidar de Bacha ficou com Dr. Caio D’Elia, ortopedista especializado em joelho, que, a partir de uma ressonância, constatou a necessidade de cirurgia para a reconstituição do ligamento cruzado anterior (LCA) e o reparo do menisco do joelho direito. No dia 20 de setembro, Bacha foi operado e, poucas horas depois de sair da sala de cirurgia, fez questão de compartilhar sua positividade com seus seguidores nas redes sociais. “Eu sempre procuro ver o que há de positivo nas experiências”, diz o atleta.

Foi assim ao longo dos últimos dois anos, quando, em razão de sucessivas lesões no joelho que não eram tratadas e, naturalmente, agravavam-se, ele se viu obrigado a adaptar radicalmente seu jeito de lutar para seguir competindo e vencendo. “Eu mudei, sob a orientação dos meus mestres, meu estilo de luta para conseguir competir em bom nível. Conforme eu me lesionava, precisava mudar aqui e ali e mudava. A verdade é que, mesmo com limitações no joelho direito, que eram cada vez maiores conforme as lesões aconteciam, meu jiu-jitsu evoluiu ao longo desses dois anos.”

UM CAÇADOR DE DESAFIOS NO TATAME

"Todo o atleta de jiu-jitsu pensa em ir para fora, ainda mais para os EUA, que está se tornando o grande centro do esporte. Os maiores campeonatos são disputados lá. Além disso, eu não imaginava, até esse convite, poder lutar com os meus ídolos."

“Eu mudei, sob a orientação dos meus mestres, meu estilo de luta para conseguir competir em bom nível. Conforme eu me lesionava, precisava mudar aqui e ali e mudava. A verdade é que, mesmo com limitações no joelho direito, que eram cada vez maiores conforme as lesões aconteciam, meu jiu-jitsu evoluiu ao longo desses dois anos”, explica Guilherme Bacha.

A disposição em vasculhar todas as possibilidades para encontrar as soluções, em vez de se deter no problema e fazer dele um drama, levou Bacha a superar as limitações físicas e colecionar títulos e mais títulos, mesmo tendo começado relativamente tarde. “Ele rodava o Brasil por conta. Foi a Manaus disputar competições. Onde houvesse torneio, ele ia e geralmente voltava campeão”, conta a mãe de Guilherme, Mônica Bacha. “Eu não faço diferença de competições. Entro em todas do mesmo jeito”, explica o atleta.

Depois de rodar o Brasil, Bacha precisava conquistar novos territórios. Assim, ele chamaria a atenção do projeto Rising Stars. “Na realidade, eu treinei por muito tempo em Vassouras, mas, ao ver que levava jeito e amava muito o jiu-jitsu, eu me mudei para o Rio [de Janeiro, capital], para ficar mais próximo das principais competições. Nesse momento, passei a treinar na academia Checkmat, com Rico Vieira, irmão do Léo Vieira, que comanda a Rising Stars.”

Treinar na Checkmat não lhe deu passaporte instantâneo para o projeto com sede na Califórnia. Ele ficou um bom tempo treinando no Rio e empilhando medalhas, conquistadas Brasil afora. Até que, neste ano, decidiu se testar na Europa. Disputou torneios na Inglaterra, Itália, Polônia e um mundial na Rússia, em Moscou, pela federação russa Absolute Championship Berkut Jiu-Jitsu (ACBJJ). Ganhou tudo, inclusive o mundial. “Isso me deu muita projeção. Na Rússia, especialmente, o atleta é bastante valorizado e eles estão investindo e apoiando muito o jiu-jitsu. Por isso, os resultados me deram visibilidade.”

UMA ESTRELA ASCENDENTE EM UM PROJETO QUE CAIU DO CÉU

“Todo o atleta de jiu-jitsu pensa em ir para fora, ainda mais para os EUA, que está se tornando o grande centro do esporte. Os maiores campeonatos são disputados lá. Além disso, eu não imaginava, até esse convite, poder lutar com os meus ídolos.”

Léo Vieira não podia perder a chance e Rico passou a ficha completa do pupilo que, mal retornou ao Brasil, embarcou para a Califórnia, para orgulho e saudade da dona Mônica, que não esconde a inquietação que a distância de seu filho único lhe traz.

“O mestre Léo Vieira entrou em contato comigo, me falando do projeto que estava sendo criado. Eu fiquei bem eufórico e feliz. Parecia um sonho. Todo o atleta de jiu-jitsu pensa em ir para fora, ainda mais para os EUA, que está se tornando o grande centro do esporte. Os maiores campeonatos são disputados lá. Além disso, eu não imaginava, até esse convite, poder lutar com os meus ídolos [caso de Marcus Almeida, o Buchecha, o melhor lutador peso por peso da atualidade].”

Porém, como pano de fundo de todas essas vitórias, estavam as sucessivas e cada vez mais sérias lesões no joelho direito de Bacha. De volta da Europa e já integrado à Rising Stars, durante um treino, Bacha sentiu a dor que colocaria fim ao período de improvisos e adaptações em seus cuidados com o próprio joelho. “Não conseguia nem pisar com a perna lesionada no chão. Foi uma angústia. Nas duas primeiras semanas depois da lesão, mal andava e, na terceira, bastante debilitado, retornei aos treinos.”

Mas, na Rising Stars, queriam-no fisicamente inteiro. Tecnicamente, já sabiam de seu potencial. Assim, Bacha fez uma ressonância para saber como estava seu joelho e o diagnóstico não foi exatamente o que ele queria: ruptura no LCA e danos ao menisco.

DO VITA DE VOLTA AO QUE AMA

“A lesão no LCA é frequente em esportes que demandam atividades multidirecionais sobre o joelho. Nas artes marciais, os esportes que mais demandam do LCA são os de luta agarrada, como judô, jiu-jitsu e greco-romana”, explica o Dr. Caio D’Elia, do Vita.
Bacha com o Dr. Caio D’Elia, quase três meses após a cirurgia, realizada no dia 20 de setembro.

“A lesão no LCA é frequente em esportes que demandam atividades multidirecionais sobre o joelho. Nas artes marciais, os esportes que mais demandam do LCA são os de luta agarrada, como judô, jiu-jitsu e greco-romana”, explica o Dr. Caio D’Elia, do Vita.

“A lesão no LCA é frequente em esportes que demandam atividades multidirecionais sobre o joelho. Nas artes marciais, os esportes que mais demandam do LCA são os de luta agarrada, como judô, jiu-jitsu e greco-romana. A sobrecarga de tensão pode gerar ruptura ou outro tipo de lesão no ligamento”, explica Dr. Caio D’Elia.

Naturalmente, ao ouvir o diagnóstico de ruptura do LCA, Bacha não ficou contente. “A gente nunca espera passar por uma cirurgia, principalmente nesse momento da carreira. Mas todos me apoiaram e eu pude enxergar o lado bom”, comenta o atleta.

“Os atletas de luta têm um nível de determinação e comprometimento com o esporte muito grande. Lesão, para eles, é sinônimo de afastamento e eles fazem de tudo para não parar. O trabalho do médico e do fisioterapeuta é mostrar que, às vezes, ele precisa parar, porque uma lesão simples pode ser agravada, comprometendo, no longo prazo, a sua biomecânica”, diz o fisioterapeuta do Vita, Cleiton Careta, que tem cuidado de Bacha.

“Os atletas de luta têm um nível de comprometimento com o esporte muito grande. Lesão, para eles, é sinônimo de afastamento e eles fazem de tudo para não parar[…], mas [assim] uma lesão simples pode ser agravada”, diz o fisioterapeuta do Vita, Cleiton Careta.

O fato é que, quase três meses depois da cirurgia e há um mês do retorno à Califórnia, Bacha diz que seu contentamento aumenta na medida em que o dia do regresso aos treinos se aproxima, o que deve acontecer em março de 2019.

“Cada dia que passa, fico mais perto do regresso. Claro que estar cem por cento para competir e conquistar títulos me motiva. Meu objetivo é ser campeão, em junho, do mundial da International Brazilian Jiu-Jitsu Federation [IBJJF], mas só de pisar no tatame de novo já terá valido todo o esforço. É bom demais poder voltar ao tatame.”

Assista ao vídeo com a História de Vita de Guilherme Bacha, clique aqui.

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