A “HISTÓRIA DE VITA” DE PRISCILLA PIGNOLATTI, A TRIATLETA QUE “NASCEU” DE UM TRANSPLANTE

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Depois de um transplante de rim em março de 2017, a gerente de projetos de TI, Priscilla Pignolatti, virou triatleta. Passou a viver também o esporte competitivo e encontrou, no Vita Care, um importante aliado para vencer seus desafios e ir, cada vez mais longe, naquilo que a enche de entusiasmo

A gerente de projetos de TI e triatleta, Priscilla Pignolatti, chegou ao Instituto Vita no início de outubro, alguns dias depois de a Associação Brasileira de Transplantados (ABTX) fechar parceria com o Vita Care, uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) ligada ao Instituto.

“O Vita apareceu na hora certa. Quando lesionei meu quadril, pensei: ‘vou procurar um ortopedista, mas qual ortopedista?’. Não é qualquer um que entende a necessidade de um triatleta. Meu medo era chegar lá e ouvir: ‘você não pode mais fazer nada por um bom tempo. Para tudo’. Quando a parceria da ABTX com o Vita Care foi assinada, conhecendo o histórico do Vita com o esporte, eu pensei: ‘estou salva’”, diz a mineira de Belo Horizonte.

A preocupação dela era não poder disputar os Jogos Latino-Americanos para Transplantados, a ser realizado na cidade de Salta, na Argentina. A prova de triatlo seria disputada de 30 de outubro a 2 de novembro e a lesão de Priscilla aconteceu na segunda quinzena de setembro.

“Quando me lesionei [às vésperas dos Jogos Latino-Americanos para Transplantados], em setembro, senti um grande desapontamento. Tinha a sensação de ter nadado, nadado e morrido na praia”, conta Priscilla Pignolatti.

No começo de setembro, Priscilla havia ficado em terceiro lugar no Troféu Brasil de Triatlo, disputado em Santos (SP). “Essa prova foi muito importante para mim. Foi a primeira em que nadei no mar. Até então, só em represa ou piscina. Eu me dediquei muito, mas não imaginava ficar na terceira posição. Mais importante, porém, foi que baixei meu tempo pessoal.”

Antes mesmo do Troféu Brasil, Priscilla já tinha se inscrito para os Jogos Latino-Americanos e, até ali, tudo o que fizera tinha sido uma preparação para os jogos, que serviriam de prévia e teste para os Jogos Mundiais para Transplantados, previstos para agosto de 2019, em Newcastle, na Inglaterra. “Por isso, quando me lesionei, em setembro, senti um grande desapontamento. Tinha a sensação de ter nadado, nadado e morrido na praia.”

“O gosto pelo esporte, eu sempre tive, mas a intensidade era completamente diferente antes. Já joguei tênis, squash, ia para academia, fazia musculação, fazia vinte minutos de esteira e era isso”, conta Priscilla Pignolatti.
“O gosto pelo esporte, eu sempre tive, mas a intensidade era completamente diferente antes. Já joguei tênis, squash, ia para academia, fazia musculação, fazia vinte minutos de esteira e era isso”, conta Priscilla Pignolatti.

UM TRANSPLANTE DE RIM E UM ÂNIMO NOVO PARA O ESPORTE

A história de Priscilla Pignolatti tem muitas peculiaridades. O esporte passou a ter protagonismo, de fato, em sua vida, há dois anos, ainda assim, dividindo espaço com a carreira de executiva. “O gosto pelo esporte, eu sempre tive, mas a intensidade era completamente diferente antes. Já joguei tênis, squash, ia para academia, fazia musculação, fazia vinte minutos de esteira e era isso.”

Há 20 anos, porém, a semente da mudança dessa relação seria plantada. “Fui entender quais eram as causas de uma enxaqueca, descobri que eu era hipertensa e, na busca por saber por que eu era hipertensa — só tinha 22 anos e nenhum histórico na família —, descobri a fonte: rins policísticos.”

No dia 14 de março de 2017, o transplante foi realizado com sucesso. “Saí da sala de cirurgia com o rim funcionando e, no dia seguinte, já andava e me sentia bem como há muito tempo não conseguia me sentir.”

A doença não tinha cura. “Ela evoluiria, mas tínhamos de saber como seria no meu caso: se rapidamente ou lentamente.” A receita médica, então, consistiu em controlar a hipertensão com remédios e o colesterol com boa alimentação e exercícios físicos, geralmente, de caráter leve, dentro de suas limitações.

Com o passar do tempo, e lá se foram 20 anos, as limitações seriam cada vez maiores, até o momento em que Priscilla mal conseguiria subir escadas e os médicos decidissem que deveria passar por um transplante de rim. De pronto, familiares se dispuseram a ser doadores. Foram feitos exames para saber os níveis de compatibilidade. Decidiu-se que seu irmão, Henrique Pignolatti, que é maratonista, era a melhor opção.

Priscilla, durante evento chamado "Doando Vida", realizado na Avenida Paulista, no dia 16 de setembro. Um dos seus propósitos é mostrar a importância da doação de órgãos e ajudar pessoas transplantadas a ver que são capazes de levar uma vida ativa e cheia de realizações.
Priscilla Pignolatti, no evento “Doando Vida”, uma caminhada na Avenida Paulista, no dia 16 de setembro. Um dos seus propósitos é mostrar a importância da doação de órgãos e ajudar pessoas transplantadas a ver que são capazes de levar uma vida ativa e cheia de realizações.

No dia 14 de março de 2017, o transplante foi realizado com sucesso. “Saí da sala de cirurgia com o rim funcionando e, no dia seguinte, já andava e me sentia bem como há muito tempo não conseguia me sentir.”

A corrida foi apenas o princípio. Priscilla Pignolatti foi ganhando confiança, aumentando as distâncias e, logo, soube da existência de triatletas transplantados. “A partir daí, da corrida para o triatlo, foi um pulo”.

Por volta de dois meses depois do transplante, ela recebeu um e-mail de Henrique que explicava como correr cinco quilômetros em três meses de treino. “Pensei: ‘Impossível!’. Mas eu já tinha a liberação da minha médica para fazer atividade física. Fui conversar com ela sobre e ela, que também é corredora, me disse: ‘lógico que você pode’.”

A corrida foi apenas o princípio. Priscilla Pignolatti foi ganhando confiança, aumentando as distâncias e, logo, soube da existência de triatletas transplantados. “A partir daí, da corrida para o triatlo, foi um pulo”.

Em janeiro deste ano, ela começou a se preparar para primeira prova, disputada em março. “Adorei e, logo, comecei a me preparar para a próxima.” Justamente, o Troféu Brasil, disputado em setembro e no qual conquistou o terceiro lugar. O próximo desafio estava marcado, seria nos Jogos Latino-Americanos para Transplantados, mas, como sabemos, veio a lesão e a dúvida.

Antes de encarar o desafio dos Jogos Latino-Americanos para Transplantados, em Salta, na Argentina, Priscilla teve consulta com o Dr. Ricardo Marques e passou por sessões com a fisioterapeuta do Instituto Vita, Luana Satriano.
Antes de encarar o desafio dos Jogos Latino-Americanos para Transplantados, em Salta, na Argentina, Priscilla Pignolatti teve consulta com o Dr. Ricardo Marques e passou por sessões com a fisioterapeuta do Instituto Vita, Luana Satriano.

UM OLHAR ESPORTIVO PARA A MEDICINA

“Em consulta, ainda na primeira quinzena de outubro, com exames de imagem [ressonância], foi identificada fratura por stress em ramo ísquio-púbico [no osso da bacia, perto da virilha direita]”, diz o médico do Vita Care e do Instituto Vita, Ricardo Marques, especialista em quadril.

Se as dores já preocupavam Priscilla, o diagnóstico do Dr. Marques não era exatamente o que ela desejava. “Além do meu desapontamento pessoal, havia uma questão coletiva nessa ida a Salta. Eu tinha agitado muito para que o máximo de atletas se inscrevesse. Eram 20 pessoas que tiraram do próprio bolso para irem lá representar o Brasil. Eu queria ir também e competir.”

“O Vita apareceu na hora certa. Quando lesionei meu quadril, pensei: ‘vou procurar um ortopedista, mas qual ortopedista?’. Não é qualquer um que entende a necessidade de um triatleta”, disse Priscilla.

Feito o diagnóstico, Dr. Marques deu a notícia a Priscilla: ela poderia competir na natação, sem bater as pernas; no ciclismo, normalmente; mas não poderia correr, no máximo, poderia andar. Se respeitasse essas recomendações, estava liberada para competir nos Jogos Latino-Americanos.

Para viabilizar a participação nessas condições, ela deveria, antes, fazer algumas sessões de fisioterapia. Assim, foi. “Diante das expectativas, a notícia foi ótima.”

Priscilla Pignolatti subiu três vezes ao pódio nos Jogos Latino-Americanos para Transplantados, fazendo valer sua presença não apenas pela experiência, mas também pelos resultados alcançados.
Priscilla Pignolatti subiu três vezes ao pódio nos Jogos Latino-Americanos para Transplantados, fazendo valer sua presença não apenas pela experiência, mas também pelos resultados alcançados.

OS RESULTADOS DE PRISCILLA NO DESAFIO DE SALTA

Priscilla explica que, diferentemente das provas-padrão de triatlo, caso do Troféu Brasil, em que as três modalidades são disputadas em sequência no mesmo dia, a prova para transplantados se divide em três dias e, em cada um deles, disputa-se uma modalidade. Isso porque, embora haja divisão por categorias, as provas são disputadas, ao mesmo tempo, por atletas que passaram por diferentes tipos de transplantes, incluindo os do coração.

Participaram dos jogos de Salta 350 atletas ao todo. O Brasil compareceu com 20 e ficou em segundo lugar no quadro geral de medalhas, com 52 pódios. Como triatleta, Priscilla concorreu também em cada uma das modalidades que compõem o triatlo.

Antes de encerrar a participação na Argentina, Priscilla conseguiu mais uma medalha “só no braço”. “Integrei o time misto do Brasil no revezamento 4/50 metros, nado livre. Ficamos em segundo.”

Na corrida, Priscilla caminhou e alcançou seu objetivo, que era completar a prova e não ser desclassificada do triatlo. “No segundo dia, foi a vez do ciclismo. Participei sem nenhuma limitação. Estava na minha praia e sem dores. Resultado: segundo lugar geral e primeiro lugar na categoria [medalha de ouro].”

Para finalizar o triatlo, Priscilla entrou na água. “Luana [Satriano, fisioterapeuta do Vita] me disse: ‘Não force na natação’. Então, não bati as pernas, mas, nos 400 metros de prova, considerando todas as categoriais, só fiquei atrás da argentina, atual vice-campeã mundial [medalha de prata]. Com a reabilitação no Vita, espero superá-la no mundial, usando também as pernas.”

“No segundo dia [de Jogos Latino-Americanos para Transplantados], foi a vez do ciclismo. Participei sem nenhuma limitação. Estava na minha praia e sem dores. Resultado: segundo lugar geral e primeiro lugar na categoria [medalha de ouro]”, conta Priscilla Pignolatti.
“No segundo dia [de Jogos Latino-Americanos para Transplantados], foi a vez do ciclismo. Participei sem nenhuma limitação. Estava na minha praia e sem dores. Resultado: segundo lugar geral e primeiro lugar na categoria [medalha de ouro]”, conta Priscilla Pignolatti.

Antes de encerrar a participação na Argentina, contudo, ela conseguiu mais uma medalha “só no braço”. “Integrei o time misto do Brasil no revezamento 4/50 metros, nado livre. Ficamos em segundo [mais uma medalha de prata].”

O saldo foi, sem dúvida, positivo, mas sua prioridade é simples e remete às origens, não tão distantes, dessa nova fase de sua vida. “Minha meta número um, agora, é voltar a correr. Só isso.”

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